Iniciámos o tempo santo da Quaresma na quarta-feira passada com a imposição de cinzas. Um gesto que, com as respetivas palavras, nos lembrou da nossa fragilidade como seres humanos: homens e mulheres de passagem. É uma graça e bênção viver este tempo da Quaresma à luz da Palavra de Deus e das três práticas religiosas: oração, jejum e esmola. A Quaresma é um tempo de perdoar e de amar.

O Evangelho deste primeiro domingo apresenta-nos a figura de Jesus que O Pai proclamou a Sua divindade no Seu Batismo “Este é o Meu Filho muito amado, em Ti pus todo o Meu agrado” (Mc.1,11) e o início da Sua pregação na Galileia. Logo a seguir ao Batismo, Jesus é impelido pelo Espírito até ao deserto para ser tentado. O tema da tentação de Jesus ocupa o primeiro domingo de todos os ciclos litúrgicos. Em São Marcos, temos o relato mais curto, mas isso não tira a importância do seu texto. Se no Batismo apresenta-se o aspeto glorioso e triunfante da missão de Jesus, na tentação meditamos o aspeto sofredor da Sua missão. Isto é a vida de Jesus. Uma luta contra o mal e a certeza da Sua vitória sobre ele.

As tentações ocorreram no deserto. Podemos compreender o deserto em dois contextos: em primeiro lugar, num sentido mais positivo, como lugar de graça, encontro com Deus, o lugar onde Deus conduzia o Seu povo. Em segundo lugar, um sentido negativo, o lugar de tentação e de queda para o povo de Israel durante quarenta anos e a infidelidade a Deus. É neste lugar que Jesus esteve durante quarenta dias e quarenta noites. A Quaresma é um convite a ir ao deserto com Jesus a fim de que possamos ser fortalecidos e amadurecidos para a missão da Igreja. Por isso, durante estes quarenta dias de observância quaresmal somos chamados a nos aproximarmos mais de Deus e a criarmos mais intimidade com Ele através da oração. Jesus ensina-nos a necessidade de ter tempo para a oração.

A tentação é algo indispensável na vida do cristão. Todos nós somos tentados e, diariamente, as tentações batem à nossa porta: preguiça, desobediência, mentira, inveja, orgulho, fofoca, egoísmo, comodismo, etc. A ferramenta necessária para vencer as tentações na nossa vida é o poder da oração e da Palavra de Deus.

Depois de ter vencido o Diabo, ou o Seu adversário, Jesus começa o Seu ministério na Galileia evocando as duas condições necessárias para entrar e participar no Reino de Deus: arrependimento dos pecados e ter fé. Ou seja, mudar de mentalidade e acreditar no Evangelho. O tempo da expectação determinado por Deus para cumprimento de sua promessa de nos mandar O Salvador, assim como o tempo suspirado pelos patriarcas e anunciado pelos profetas chegou ao clímax, plenificou-se (Ef 1,10; Gl 4,4). Então, o Verbo entrou para fazer parte da nossa história e, assim, começa o tempo da Graça, a oferta da salvação, o Reino de Deus (Ef 1,10) já presente e posto ao alcance de todos.

A Palavra de Deus deste domingo lança-nos o desafio para sermos mais fortes e determinados nas causas de Deus e na vivência da nossa vocação cristã.

Pistas de Reflexão

  • Como reajo nos momentos mais perturbantes da minha vida? Qual é a minha compreensão sobre as realidades à minha volta?
  • Qual é o propósito que faço neste tempo da Quaresma, em tempo da pandemia?
  • Quantas vezes consigo entrar no deserto (silêncio/oração) da minha vida?

Votos de um santo e maravilhoso tempo da Quaresma.
Pe. Andrew Prince

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