Palavras do Pe. Simon Ayogu, na tomada de posse no dia 20 de setembro de 2026.
Vinde e vede
Em primeiro lugar, gostaria de saudar V. Ex.ª Reverendíssima, o Patriarcado de Lisboa, representado aqui por D. Rui Gouveia. Saúdo também o nosso provincial, o Padre Hugo Ventura, filho desta paróquia, que me indicou para este serviço. Acolho fraternalmente os outros padres, meus confrades, aqui presentes, bem como as entidades civis, nomeadamente o Dr. José D’Almeida (Assessor do Sr. Presidente da Câmara Municipal de Cascais – em representação do Sr. Presidente Dr. Nuno Piteira Lopes), o Sr. Fernando Ferreira Marques, presidente da freguesia de São Domingos de Rana, e os seus colaboradores.
Aos meus paroquianos de Nogueira e Lomar, da arquidiocese de Braga, que me acompanharam até aqui, para me doar… um pedaço do meu coração, a vós pertence!
Aos paroquianos de Tires, sejam eles crianças, jovens ou menos jovens, o dia é vosso. A vossa saudação é a mais importante.
A tomada de posse do pároco é um gesto de confiança da Igreja. Significa ser responsável por uma parte do povo de Deus dentro do Patriarcado, na paróquia. Essa confiança traduz-se em serviço. O pároco é aquele que serve, que está ao serviço dos outros.
É a paróquia que toma posse de mim para eu a poder servir, para estar na linha da frente das responsabilidades. Não se pede para ser pároco. Responde-se antes a um apelo, a uma convocação para trabalhar a serviço de Deus: “Eis-me aqui. Envia-me”. Esta é a minha resposta generosa e livre à Igreja, ao Patriarcado de Lisboa e, mais concretamente, à Paróquia de Tires, aos seus fiéis e aos que ainda não o são.
Espero poder contar com a colaboração dos meus confrades e com a dedicação e a coresponsabilidade dos paroquianos, pessoas que são há muito tempo fiéis a esta Igreja e a quem seremos sempre gratos: os paroquianos que contribuíram e continuam a contribuir para a construção contínua desta comunidade cristã.
Desde já, agradeço e reconheço o trabalho dos antigos e falecidos párocos, os senhores padres Augustino da Silva e Manuel João Magalhães Fernandes, o padre Domingos de Rocha que está na nossa comunidade em Fraião e o meu irmão Andrew, pelo testemunho deixado.
Não me considero conhecedor de todas as realidades concretas e atuais da paróquia que hoje assumo, mas, como o próprio nome indica, o caminho faz-se caminhando… Por conseguinte, caminhemos de mãos dadas, de acordo com as orientações do Patriarcado, para alcançarmos o “sonho missionário de chegar a todos” do Papa Francisco (Evangelii Gaudium, n.º 31).
Consciente dos grandes desafios que o mundo urbano secularizado apresenta à nossa Igreja, a uma vida de fé sincera e à defesa da unidade em Cristo, espero que na nossa paróquia possamos encontrar um espaço para um encontro pessoal com Jesus que fortaleça os nossos passos tantas vezes cansados.
Alimento também a expetativa de conseguirmos chegar mais às pessoas, ir ao seu encontro, procurá-las, em vez de apenas esperar que elas venham até nós. Como diz Santo António, arrastemos as pessoas mais com os nossos exemplos do que com as nossas palavras.
Neste ano pastoral, que marca o início de uma caminhada de sete anos até o jubileu da Redenção, convido-vos, nas palavras do nosso Patriarca, a recomeçar, com três eixos num caminho. Este ano pastoral será um período de acolhimento, proximidade e redescoberta da experiência do encontro com Cristo.
Inspirando-me no Evangelho de hoje, que é sobre a vinha, a parábola representa o Reino dos Céus e a missão para a qual o Senhor nos chama. O mais importante é trabalhar na vinha, independentemente do que se recebe por isso. A vinha é tão bela, envolvente e gratificante que a última coisa que vamos fazer é queixarmo-nos daqueles que recebem pelo seu trabalho.
Aqueles que foram contratados de manhã devem agradecer por lhes ter sido permitido trabalhar na vinha durante todo o dia.
Na vida, não olhemos para trás, olhemos para cima. Olhem para os jogadores e concentrem-se no grande objetivo: ganhar o troféu. O Éder jogou três vezes pela seleção portuguesa durante o Campeonato Europeu de 2016 da UEFA, tendo entrado como suplente em todos os jogos. Na fase de grupos, contra a Islândia, jogou seis minutos como suplente no final do jogo. Contra a Áustria, jogou sete minutos como suplente no final do jogo. No grande final contra a França, entrou também tarde em substituição e marcou o golo da vitória na prorrogação, aos 109 minutos.
Como o Papa Bento XVI nos lembra, “ser cristão não é o resultado de uma decisão ética ou de uma grande ideia, mas sim de um encontro com um acontecimento, com uma pessoa, Jesus Cristo, que dá à vida um novo horizonte e um rumo decisivo”. Certamente, este encontro tem o poder de transformar positivamente não só as pessoas, como também as sociedades e as culturas. Deixemo-nos transformar!
Foi-me confiada a responsabilidade pastoral e espiritual desta paróquia. Conto com a colaboração de todos vós para nos tornarmos uma comunidade de corresponsáveis.
Padre Simon Okechukwu Ayogu,
Tires, 20 de setembro de 2026
