Além da Jornada Mundial da Juventude a acontecer neste ano pastoral na cidade de Seul, na Coreia do Sul, com o tema “Tende coragem: Eu venci o mundo!” (Jo 16,33), o que marcará este e os próximos anos será um caminho pastoral de sete anos em três eixos com o convite que Jesus dirigiu aos seus futuros discípulos: «Vinde e Vede».

Este convite de Jesus é uma teologia fundamental e avançada. Vinde e Vede implica um movimento. Jesus pede nos para pormo-nos em marcha para que juntos possamos vê-Lo, deixarmo-nos influenciar por Ele e habitar com Ele.

No início da era moderna, a Igreja assumiu a sua forma num período em que a sua influência na vida das pessoas era dominante e moldava a influência do lar. Durante este período de “vacas gordas”, foi aceite como certo que a Igreja detinha a verdade absoluta sobre quase todas as realidades concebíveis, o que se refletia no respeito de que a Igreja e os missionários gozavam.

No que diz respeito ao ritmo de vida do homem contemporâneo, é agora bastante claro que a Igreja precisa de fazer mais, mesmo que para isso tenha de se “sujar”, como afirmou várias vezes o anterior pontífice na sua referência à “Igreja em saída”, não só para garantir a sua relevância, mas sobretudo para se manter como missionária de esperança entre os povos. Os sinos da Igreja ainda tocam em muitas cidades europeias. No patriarcado de Lisboa, ainda é possível ouvi-los nalgumas igrejas, mas já não chamam a mesma atenção que no passado.

A Igreja vê-se confrontada com um mundo em mudança. Como Ratzinger afirmou numa emissão de 1969 numa rádio alemã, a Igreja Católica, um farol moral nas águas turbulentas do seu tempo, tinha recentemente experimentado certas mudanças, com aderentes e dissidentes a questionarem-se: “Que futuro aguarda a Igreja?” (Werner, 2016).

Aquele futuro é hoje.

E nós, o que iremos fazer? Vamos operacionalizar o desafio de sermos todos “os missionários da esperança entre os povos”, continuando a apostar na vida catequética da nossa paróquia como veículo de evangelização. Vamos também aprofundar a ligação entre o que anunciamos e o que vivemos. Todos somos catequistas e catequizandos. Deixemo-nos moldar pela arte de acompanhar e cuidar, para podermos inserir toda a vida paroquial na vivência catecumenal da Igreja.

Pedimos uma participação ativa e criativa de todos no alargamento dos horizontes da nossa ação missionária, aprofundando a nossa vida espiritual através da oração e convertendo-nos cada vez mais ao Evangelho manifestado no serviço aos irmãos. Desta forma, e em conformidade com o nosso lema para este ano, «Vinde e Vede», manteremos uma Igreja em saída e missionária.

Seguindo as pisadas de Jesus Cristo, a nossa Páscoa Eterna, criemos uma consciência eclesial global na nossa paróquia de Tires num clima de amor verdadeiro. Uma forma de amor que não deixa o outro à mercê da arbitrariedade.

Vamos lá!

Padre Simon Okechukwu Ayogu CSSp., Pároco